Quem
nunca escutou aquele velho ditado “bandido bom, é bandido morto”, escutará. Digo
isso porque cada vez mais, se pede leis rígidas, como resposta à população,
bombardeada por violência e mais violência nos meios de comunicação, que cobram
de seus representantes uma atitude, conquanto, a resposta já sabemos. Assim,
aos poucos surge o retrocesso, nossos semelhantes começam a acreditar que a Lei
do Talião, conhecida pela expressão “olho por olho, dente por dente” é o meio
mais eficaz de se fazer justiça.
Por
outra seara, as leis penais exclusivamente repressivas não surtem efeitos. O
Direito Penal, que deveria ser efetivo no combate à criminalidade, tornou-se
simbólico, se mostrou incompetente e ineficiente para os fins desejados pelo
Legislativo e pela sociedade. O ramo que foi criado para limitar a amplitude e
intensidade dos castigos que o Estado precisa aplicar, vem perdendo seu
objetivo, punir dentro dos limites legais, isto é, resguardar todas as
garantias constitucionais a quem está sofrendo a punição.
Nessa
esteira, o garantismo deve funcionar como um filtro contra todas as leis que
ultrapassem a tênue linha de flexibilização das garantias constitucionais.
Desse modo, diante da ineficiência do Direito Penal para reduzir os índices de
criminalidade, faz-se necessário procurar outra solução, menos incisivas e
socialmente mais inteligentes.
A criminalidade
violenta atinge de forma maciça a sociedade, disso ninguém tem dúvida, no
entanto, o fato do legislador tornar as leis mais duras, aumentar as penas,
tipificar mais condutas, resultará apenas em um aumento no número de presos e,
ensejará ainda mais a problematização da superlotação carcerária. Ademais,
esses detentos em sua maior parte, integram a grande massa dos excluídos pela
política econômica globalizada e não possuem opções de melhoria de vida ao
cumprirem sua pena e, quase sempre, voltam à pratica delitiva.
Destarte,
quando se defende um Direito Penal Mínimo, coerente com os princípios do Estado
Democrático de Direito e, afirma-se que seu papel é inarredavelmente de
promover a proteção da dignidade da pessoa humana, combatendo-se a proliferação
normativa alucinante voltada para interesses sobretudo de ordem econômica onde
se protegem bens de consumo e não seres humanos. Percebe-se, que o Direito
Penal está perdendo gradativamente sua legitimidade, pois cada vez mais
encontra-se desvirtuado, devido em grande parte a influência da mídia, trazendo
discursos reacionários e oportunistas de formadores de opinião junto ao
sensacionalismo sobre a violência. Com isto, a tendência é tornar cada vez mais
hediondos os crimes, penalizar cada vez mais condutas e tornar penas
preexistentes mais severas e com uma realidade prisional mais péssima do que a
atual.
Por
fim, ainda há quem diga que “Direitos Humanos foi feito para proteger
bandidos”, pura ignorância dos que acreditam e prolatam esse discurso. Esse
instituto foi concebido para proteger TODOS OS CIDADÃOS das arbitrariedades do
Estado e deve funcionar inclusive para aqueles que estão sob custodia e
responsabilidade do Estado.
Discente: Suzy Neves
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